Terça-feira, Março 29, 2011

Ecos da Ditadura

Seria engraçado, se não fosse triste. Na segunda-feira, 28 de março, o Brasil assistiu a um pronunciamento digno de making of de propaganda política. O ilustre deputado Jair Bolsonaro disse no famoso programa de humor CQC que seu filho não seria promíscuo para namorar uma negra ou um homossexual, entre outras coisas. Não demorou, e nem deveria, para sua declaração correr o Brasil e ser criticada.

Na ocasião, o apresentador do programa, Marcelo Tas, ressaltou que não acreditava que o político entrevistado tivesse entendido perfeitamente uma pergunta feita pela cantora Preta Gil. É compreensível, eliminando defesas partidárias e orientações políticas, que o apresentador tenha tentado cumprir seu papel mediando as informações transmitidas. Até porque não podemos acusá-lo de racismo ou homofobia se levarmos em consideração sua trajetória de vida, homem que sempre prezou pela cultura e pelo fim das desigualdades. Tampouco isso tira o foco da arrogante declaração.

No dia seguinte, o deputado Jair Bolsonaro publicou uma nota em seu site defendendo-se das críticas sofridas após sua declaração na TV aberta. Mas a redação de seu texto de esclarecimento foi escrito com um português tão péssimo quanto sua postura agressiva, intolerante e fascista.

Parece brincadeira, mas, próximo de completar 30 anos do fim de um regime militar ditatorial, o Brasil ainda convive com certas declarações retrógadas e ainda oferece espaço para esse tipo de gente representar o povo brasileiro. Tudo isso é reflexo de uma ditadura que, diferentemente de outros países, não foi julgada por seus atos bárbaros, pelos desaparecidos políticos, pelos muitos mortos que nunca tiveram um enterro digno. Todavia ainda há tempo e talvez esta seja a hora exata!

O final do século XX no Brasil mostrou a intolerância do povo em ter um regime opressor e ditatorial. A mobilização nas ruas contribuiu para a retirada dos militares do poder e a redemocratização do país. Já o século XXI não tolera mais, como nunca deveria ter tolerado, racismo, homofobia ou qualquer outra afronta a grupos que possuem gostos e costumes diferentes. Temos, no Ocidente, um presidente negro governando a maior potência do mundo e uma mulher guiando o Brasil. No Oriente, manifestações contra regimes vitalícios e opressores. É hora de dar um basta ao preconceito! Hora de calar e julgar esses saudosos da ditadura militar que prestaram tantos desserviços ao país, mas que ainda conseguem fazer ecoar suas ignorâncias e arrogâncias enquanto enriquecem com o próprio dinheiro dos contribuintes homossexuais e negros.

Façamos uma simples revolução social, apenas enquadrando essas pessoas na lei. E talvez, depois disso tudo, possamos dar as risadas que um programa de humor intenta em gerar quando virmos o rosto dessa gente atrás das grades em programas jornalísticos.

3 comentários:

Gabriel Bastos disse...

Também acho!
Mas só acho que uma mulher governar o Brasil e um "negro" governar os EUA não significa nada no que diz respeito à mudanças de posturas político-ideológicas por parte dos países em questão.

Antonio Gasparetto Júnior disse...

Tem toda razão, Gabriel!
Mas não se pode tirar o mérito de uma conquista social histórica como essas.

Alan Domingues disse...

Bom dia Antonio,

Tudo bem?

Estou fazendo meu TCC sobre a influencia da midia nas eleições de 1989, com isso peço licença para utilizar uma citação de um de seus textos (Diretas Ja http://www.historiabrasileira.com/brasil-republica/diretas-ja/) e aproveito a oportunidade para lhe perguntar se esse texto está disponível apenas em versão web ou existe em outra publicação como um livro, para que eu possa fazer a referencia bibliografica mais adequandamente?

abraços e parabens pelos textos!!!
Att.,
Alan Domingues
domingues.alan@hotmail.com