No último domingo, dia 11 de setembro de 2011, completou-se dez anos do ataque terrorista ao World Trade Center, nos Estados Unidos. A mídia, em geral, propagandeou intensamente as solenidades estadunidenses pelas vítimas do atentado, fato que incomodou muitos críticos. Muito se disse sobre ser o maior ataque terrorista da história, o que foi recusado por muitos que alegam serem as bombas atômicas no Japão um ataque terrorista de maior escala. Passemos a uma abordagem sobre a discussão.
A rigor, o uso das bombas atômicas nas cidades japonesas fez parte de uma conduta de guerra. É fato que os armamentos nucleares arrasaram as cidades de Hiroshima e Nagasaki, resultando na morte de mais de 300 mil civis inocentes. Tal conduta deveria sim ser julgada como um crime de guerra por uma corte internacional, da mesma forma como foram os nazistas que eliminaram mais de 6 milhões de judeus. Isso nos demonstra a rigidez e a falta de consideração humana dos Estados Unidos para manutenção da sua hegemonia capitalista ao longo do século XX. Não devemos esquecer esse lamentável evento por mais que não seja conceitualmente um ataque terrorista.
Fique claro que não estou eximindo os Estados Unidos da atrocidade que marcou o fim da Segunda Guerra Mundial só porque o evento está inserido em um cenário de conflito. Porém todo país tem o direito de lembrar de suas vidas perdidas, o que vem sendo intensamente divulgado por ocasião dos dez anos do ataque ao World Trade Center. Não podemos ser hipócritas também e nos excluir completamente das celebrações, afinal muitas famílias de brasileiros, japoneses, italianos, franceses, russos e alemães perderam parentes na ação terrorista. De algum modo o ataque comandado por Osama Bin Laden também nos afeta. O que está em jogo aqui, e isso os Estados Unidos fazem muito bem, é a maneira como as celebrações são divulgadas. Há um investimento muito grande em manter a aparência hegemônica no mundo como o país capitalista que a todos agrega com democracia e liberdade. Um grande líder pelo qual devemos nos sensibilizar e sempre prestar reverências. O que não podemos é comprar essa imagem de vítima de um "pai" ferido.
Há de se lembrar que os Estados Unidos não foram responsáveis diretos somente pela morte dos japoneses na Segunda Guerra Mundial. Foram eles também que caçaram, torturaram e mataram comunistas em todo o planeta; eles que apoiaram terríveis ditaduras na América Latina que resultaram em mais milhares de mortes; o American Way of Life que tanto engordou os estadunidenses e, ao mesmo tempo, deixou muitas pessoas morrendo de fome na África; eles que armaram rebeldes liderados por Osama Bin Laden no Afeganistão; entre tantas outras coisas.
O ataque às torres gêmeas foi terrorista porque não havia Estado de Guerra declarado, contou com a ação de indivíduos que se mataram por uma causa, matou civis de várias nacionalidades em um evento não militar e, teoricamente, sem defesa. As bombas atômicas estão incluídas no contexto da Segunda Guerra Mundial, na qual Estados Unidos e Japão rivalizavam abertamente. Talvez o ataque japonês à base militar em Pearl Harbor tenha sido até mais "terrorista" do que as bombas atômicas, tendo em vista que os estadunidenses não estavam em guerra. Por sua vez, o holocausto que vitimou mais de 6 milhões de judeus também não foi terrorismo, foi genocídio. E nem os 100 milhões de negros mortos na escravidão foi terrorismo, o Estado reconhecia a escravidão como legítima e negros e brancos conviviam com isso. Ressalto, contudo, que nada disso exclui o terror e a estupidez humana. Muitas vidas foram ceifadas em diversas situações e pouco importa se, conceitualmente, a ação do dia 11 de setembro foi mesmo o maior ataque terrorista da história. Deveríamos nos preocupar mais em prezar por uma convivência pacífica, evitar que o ser humano seja aniquilado como se não tivesse o menor valor e identificar e julgar justamente os culpados por matanças - independente de situações econômicas, políticas ou culturais. Cada vida humana é importante e vale mais que números ou estatísticas!
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